Sábado, 30 Setembro 2017 10:38

Mãe de Tabata desabafa: “Ele é um monstro, um monstro sem tamanho”

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Mãe de Tabata desabafa: “Ele é um monstro, um monstro sem tamanho” Mãe de Tabata desabafa: “Ele é um monstro, um monstro sem tamanho” Mãe de Tabata desabafa: “Ele é um monstro, um monstro sem tamanho”

O corpo de Tabata Fabiana Crespilho Rosa, 6 anos, foi sepultado no final da tarde desta sexta-feira (29) em Balneário Camboriú. O clima era de indignação e revolta pela forma como a menina foi morta, em Umuarama, onde morava com a mãe, Fernanda Crespilho, o padrasto, e dois irmãos, um deles recém-nascido. O pai e os avós de Tabata vivem no litoral catarinense.

Bastante emocionada e com a voz embargada, Fernanda, que é costureira autônoma, conversou por telefone com OBemdito. Ela mandou um recado para Umuarama: “Acabei de enterrar minha filha. Eu não consigo descrever a dor que estou sentindo. Mas quero mandar uma mensagem para todos que estão vivendo essa tragédia comigo. Vocês passaram a fazer parte da minha família. Sou muito grata pela solidariedade de todos”.

Fernanda também falou sobre o assassino confesso de Tabata. “Enquanto ele dava o depoimento na delegacia, ele olhou bem no fundo dos meus olhos e disse que não tinha matado minha filha, que ela estava viva. Naquele momento eu acreditei nele e tive esperanças. Ele é um monstro”.

Entre lágrimas e demonstrando estar sob o poder de calmantes, a mãe prosseguiu: “Como pode alguém ser tão mau assim. Meu Deus, ele violentou minha filha e matou ela estrangulada. E minutos depois foi visto comprando cerveja e marmita, como se nada tivesse acontecido. O que minha filha fez para merecer isso? Ele não acabou só com a vida da minha filha. Ele destruiu a vida de toda a minha família”.

Selvageria

Os atos de selvageria de populares fora da delegacia contribuíram para agravar ainda mais a dor de Fernanda Crespilho, obrigada, por questão de segurança, a permanecer por pelo menos três horas no corredor de um banheiro, ao lado de profissionais da imprensa. Por várias vezes, houve a recomendação para que não se falasse alto e se mexesse bruscamente, para não chamar a atenção dos presos que estavam rebelados no interior da cadeia, a não mais de 30 metros.

O momento mais crítico foi quando chegou a informação de que os detentos haviam tomado a sala de armas armazenadas para perícia no IML (Instituto Médico Legal). Fernanda, que há 29 dias deu à luz o terceiro filho, e nos últimos dias passou por duas cirurgias, ficou ainda mais apreensiva: “Meu Deus, por que estão fazendo isso? Eu só quero chegar na minha casa e encontrar minha filha”.

Festa de aniversário

No local também estavam o pai, a avó, uma tia, um primo e o padrastro de Tabata, que resolveu deixar o espaço, correndo risco de ser atingido por tiros. A vó, Irene, conversou em voz baixa com OBemdito e disse que queria levar a menina para morar em Balneário Camboriú. “Ela já está falando sobre a festa de aniversário, no dia 6 de janeiro. Até já escolheu o bolo. Vai ser férias e ela vai estar com a gente lá na praia”.

Todos os profissionais da imprensa tinham a informação da morte de Tabata, mas houve um consenso de ninguém se manifestar. Fernanda e os familiares receberam a informação ao deixarem a delegacia, logo após as 3 horas da madrugada. A mãe gritou desesperadamente e caiu no asfalto ainda em chamas, por conta do incêndio de veículos. Foi amparada pelo marido.

A cena de uma família devastada por um provável psicopata dificilmente será esquecida por quem a presenciou. Desde aquela fatídica noite, impera um clima de tristeza na redação de OBemdito, que também viu parte de seus profissionais e de seus colegas serem atacados por vândalos inconsequentes, destruindo seus veículos, utilizados como recurso de trabalho para levar informação jornalística.

Mas nada se compara à dor da mãe e da família de Tabata. Nada se compara às horas de terror que a criança passou até sua sentença final, proferida simplesmente por ser um anjo.

Jornal O Bendito

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